AZÁLEA

 

  I - INTRODUÇÃO

Uma dúvida recorrente quando se aborda o tema "Azálea" é a de qual a diferença entre as Azáleas e os Rhododendros. Na realidade não há qualquer diferença botânica entre as Azáleas e os Rhododendros. Ambos pertencem à espécie Rhododendro SP da família das Ericáceas. Porém é usual fazer alguma distinção entre os Rhododendros e as Azáleas. Os Rhododendros por norma incluem espécies de folha mais larga e que podem atingir a forma de arbusto de médio/grande porte. Relativamente às Azáleas por norma englobam espécies com folha mais pequena, oriundas da Ásia e reconhecidas principalmente pela sua abundante e encantadora floração. Esse é sem duvida o principal encanto das Azáleas: a flor. O encanto pela espécie provoca que existam criadores de bonsai unicamente especializados em Azáleas e por vezes especializados numa só espécie. Contudo, o encanto pelas Azáleas não é exclusivo da Arte Bonsai. Verificamos, por exemplo, que existem muitos coleccionadores de Azáleas por todo o mundo. Podemos confirmar que através da constante pesquisa existem hoje em dia centenas de tipos de Azáleas. A título de curiosidade podemos indicar algumas comunidades virtuais como a www.azalea.org ou www.encoreazalea.com onde é possível ver a paixão que esta espécie gera. É extraordinária a quantidade e a beleza de novas Azáleas híbridas que são criadas por estes coleccionadores.

As Azáleas são sem dúvida portadoras de um encanto e de uma beleza invulgar e mágica. Vamos concentrar as nossas atenções na Azálea enquanto espécie utilizada em Bonsai.

 

  II - MANUTENÇÃO VEGETATIVA: O CULTIVO

 

Para abordar esta secção decidi, e para uma melhor organização, dividir este tópico em quatro sub tópicos: O solo; a rega; a localização e o transplante.

 

O Solo : Uma das características das Azáleas é ser uma espécie calcífoga. Significa que a presença do calcário é prejudicial à espécie. Nestas condições o solo deverá ser ácido, rico em matéria orgânica e com boa capacidade de reter água e humidade. Usualmente para satisfazer uma das principais necessidades da Azálea utiliza-se um solo ácido denominado Kanuma. Uma das principais características da Kanuma é precisamente manter o solo ácido por mais tempo que os restantes tipos de solo. Contudo é possível criar azáleas em outros tipos de solo com sucesso. Uma vez que em Portugal na maioria dos casos a água é de origem calcária é utilizado um pequeno "truque": a adição de vinagre ou limão em pelo menos uma rega por mês. Assim, asseguramos a manutenção da acidez do nosso solo.

 

 

A Rega : Nas azáleas a rega assume particular importância, principalmente na altura da floração. Nesta época o solo deverá estar permanentemente com um alto teor de humidade. Um descuido na rega pode significar a perda das nossas preciosas flores mais cedo que a natureza nos priva. Fora da floração, a rega deverá ser mais moderada, evitando o encharcamento permanente. É muito importante deixar o solo secar entre as regas. A Azálea é muito propensa a fungos do colo da raiz. Tendo este cuidado na rega diminuímos a probabilidade de aparecimento deste tipo de fungos. Pulverizar as folhas e os ramos são bem apreciados pela azálea. Contudo em zonas de águas calcárias tal prática pode ter consequências por vezes letais, uma vez que a presença do calcário pode originar o entupimento dos estomas e consequente asfixia da planta. Aconselhamos por isso em zonas de água cálcaria que o pulverizar das folhas seja feito com água destilada ou água da chuva. Durante a floração a rega foliar não deve ser efectuada uma vez que o contacto da água com a flor diminui o seu período de vida drasticamente.

 

 

A Localização : Assume também especial importância na altura da floração. As Azáleas precisam de apanhar sol de preferência nas primeiras horas da manhã ou últimas horas da tarde. A presença do sol é vital para estimular o aparecimento das flores. Contudo durante a floração a ausência de raios solares directos pode assegurar a manutenção por um período mais longo das nossas preciosas flores.

 

O Transplante : O transplante e a poda radicular deverá ser feito antes da floração sendo a altura ideal o fim do Inverno/início da Primavera. Deve ser feito anualmente para exemplares mais jovens e com um maior espaço temporal à medida que a nossa árvore vai envelhecendo. O composto do solo que devemos utilizar já foi abordado anteriormente.

 

 

  III - MANUTENÇÃO ESTÉTICA: A PODA

 

Os trabalhos de poda podem ser divididos em dois períodos distintos: antes e depois da floração. Assim, no Final da Primavera - Início do Verão, dependendo da espécie em questão e da altura da floração, deveremos realizar uma poda selectiva de forma a que estimule o crescimento dos novos brotos e das flores. É por isso importante fazer uma poda que limpe os ramos supérfluos e que liberte claridade para as futuras flores. Os trabalhos de limpeza de folhas e flores "velhas" deverão ser uma constante. Após a floração a poda deverá ser de forma a "libertar" os próximos brotos que irão dar origem ao novos ramos e às flores do ano seguinte.

Relativamente aos trabalhos de aramamento estes deverão ser feitos durante a Primavera, Verão e início do Outono. De referir que esta técnica deverá ser utilizada com especial cuidado uma vez que os ramos das azáleas são de uma madeira rija e bastante quebradiça.

 


  IV - PROPAGAÇÃO

 

A azálea apresenta uma taxa de sucesso relativamente alta em quase todos os métodos de propagação sendo, sem dúvida o mais eficaz o da estaca. Contudo, o sucesso do método está intimamente ligado à época do ano em que é feito. Para uma melhor orientação na Primavera os métodos que maior taxa de sucesso apresentam são: a estaca; a enxertia; a semente; no Verão, o arborque. Mais uma vez realçamos que uma estaca realizada na Primavera apresenta uma probabilidade de originar uma futura Azálea relativamente alta.

 

 

  V - ALGUMAS ESPÉCIES

 

Como já foi referido anteriormente existem hoje em dia centenas de espécies híbridas de Azáleas. É constante o cruzamento de espécies sempre à procura de uma flor mais bela, mais encantadora, mais apaixonante. Na arte bonsai existem contudo algumas espécies de referência sendo, sem dúvida a mais expressiva a Satsuki e a Kurume, ambas originárias do Japão. As Satsuki devem o seu nome à altura da sua floração: a 5ª Lua. Assim, a sua floração ocorre normalmente em Maio. Esta espécie tem apaixonados leais que se dedicam exclusivamente ao cultivo desta espécie. No Japão não é necessário procurar muito mestres especializados e dedicados exclusivamente às Satsuki. Não é difícil perceber porquê. Quem vê as suas encantadoras flores facilmente se apaixona por esta espécie.

 

 

  VI - CONCLUSÃO

 

Falando da minha experiência pessoal, o meu primeiro contacto com azáleas foi naturalmente através de livros. Julgava demasiado artificial uma planta ficar totalmente coberta de flores. Achava desproporcional e sem grande interesse estético. Mas o impacto com a realidade foi arrebatador. É impossível ficar indiferente a uma Azálea florida. É mágico.

 

Mário Moura

 

 

Associação Lusitana de Bonsai